• Aposta Certa •

A escola é talvez o local onde passamos mais tempo, sem contar com a nossa casa.
Parte-se do princípio, que é um local seguro, de confiança.
Na realidade, não passa de uma dita esperança.
Como há bons profissionais, há maus..
Como há boas crianças, há más..
Então esta história refere-se às personagens más deste planeta.
Os adultos são maus..
As crianças são más, e nelas está o futuro.
Sofri bastante.
Levei chapadas.
Levei muito pontapés
Levei muito puxão de cabelo
Senti muito cuspo na cara

Senti-me ignorada

Todos os que presenciavam, nenhum deles se opôs aqueles atos

Ficavam a assistir

Tanta gente junta e ninguém com um pingo de decência

Uns por medo, outros porque eram exatamente iguais..

Eram agressores!

Os meus lanches, o meu almoço, eram passados atrás da porta dos blocos..
Era dentro da casa de banho..
O meu recreio?
Não havia recreio..
Havia um campo sem fim, de personagens mal intencionadas, que faziam brotar em mim dores intermináveis.
Mas o físico era suportável..
O que doía mesmo, era no peito, na mente, era no psicológico..
Esse era insuportável..
Rasgava por dentro com uma rapidez fenomenal..
Era só..
A cada lágrima, o peso parecia maior..
Sentia-me mesmo devastada!
Ninguém repara, nos detalhes..
Apartir deste tempo, soube o que era olhar realmente para alguém, ver o que existia dentro de cada um..
Não me limitava a olhar para fora..
Queria ver mais!
E consegui..

Mas de uma coisa me orgulho, nunca precisei ser como nenhum deles para ser melhor.
Para me sentir alguém.

Fui vítima de bullying.

Poderia ter virado agressora.

Mas não.

Mas fiz a aposta certa.

• A Invasão •

Acreditar, é sempre uma ponta solta.
Por vezes, é surpreendente bom..
Outras vezes, nem tanto!
O importante é valorizar o ato de confiar.
Apesar de ser corrompido a maioria das vezes.
Porque confiar é muito mais do que acreditar.
É uma entrega inexplicável.
De uma brutalidade rara..
Há que valorizar, independentemente das quebras ao longo do percurso.
O ato de errar é nos atingido a todos, com impactos incalculáveis.
Cada qual, sofre a sua mercê.
O que para mim não é dor, para outro qualquer, é um tremendo sofrimento

• Gerir Emoções •

Ela nunca partilhou realmente com ninguém, a quantidade de vezes que pensou por fim á vida.
Ninguém imagina o quanto é difícil, engolir o choro, engolir o soluço absurdo que quase nos deixa em suprema fraqueza.
Tentar colocar um sorriso no rosto, quando a única vontade é por fim a tudo.
Uma dor imensa.
Algo devastador.
Conseguir estar funcional, tendo este pensamento, esta dor.
Não é de todo fácil.
Torna-se insuportável.
Tão frágil, quanto forte.
Um vazio tremendo.
Ela já não se identificava com ela mesma..
Era mesmo um grande vazio..
Queria apaziguar o sofrimento aos seus..
O grito era forte, mas não chegava.
Suava a grito surdo!
Ninguém entendia.
Ninguém a ouvia.
Porque é na partilha que nos ajudamos a nós mesmos, e a quem nos ouve. Ela teve de aprender essa realidade por ela mesma. Sem recorrer a nada, nem a ninguém.

• O Autêntico •

Fizeste-me gemer de prazer!
Uma autenticidade única.
De intensidades nunca antes avistadas!
Contigo tive presente o mais puro e verdadeiro sentimento de entrega, e também de fim..
Um fim nunca antes calculado..
Possivelmente já pensado..
Quão bom e intenso foi..
Não descanso..
A lembrança permanece…
Volta!
Suplico.
Que repenses!
A conversa era bonita..
O corpo atlético..
A boca maravilhosa..
As mãos fortes e fogosas..
Uma língua atrevida..
Dedos intimamente penetráveis..
O suor era amigo de eleição..
Os lençóis gritavam de sufoco..
Mas o nosso amor, esse nunca disse não.
Foste o meu segundo íntimo..
Intimamente, senti-me exigente..
Contente!
Amada!
Senti-me verdadeiramente indecente.
Que sensação!
Sou um mistério de sedução.
Quer acredites, ou não, foste uma verdadeira emoção.

• O Navegante Silêncioso •

Como se um olhar não bastasse. .
Como se nele não encontrasses…
A minha alma em pedaços..
Procura-me, mas encontra-me..
Porque procurar, não chega!
Tens de me encontrar.
Puxa o melhor que há em mim
O meu riso, o meu olhar
Limitas-te a espreitar..
Mas não te renegues a amar!
Ama-me..
Tens de me conhecer nos promenores..
Nas virtudes, e nos defeitos..
Porque é nos defeitos que se vê, se és bom navegador!
Navega-me intensamente..
Faz-me vir a cada puxar de corrente..
A cada onda brotada de força..
Faz-me vir incondicionalmente..
Se o maestro da minha orquestra..
Confessa!
Também o sentes..
Amor.. esse está sempre presente!
Mas na tua confissao..
Não esqueças de mencionar o que é para ti amar, e o que é usar.
Ama-me..
Mas nunca me uses..
Porque se de outra forma se tratar..
Não terei força para aguentar!
Quebrarei o que de melhor há..
Mas jamais manipules o sentimento.
Não deixes á deriva o que de bom há!
O presente, só de nós dependerá!

• Saber Olhar •

Não me sinto pertencente a lado algum.
Não me sinto em casa
Não me sinto feliz!
Sinto-me só..
Completamente mercê á minha própria sobrevivência..
Não me sinto igual, nem parecida a ninguém!
Sinto-me diferente..
Completamente!
As pessoas não reparam no que eu reparo..
São os detalhes, são os promenores..
Sou tão atenta..
E quem me rodeia está tão a leste, ao que é real, importante.
O foco, é o trabalho, são os problemas ..
Vice versa.
O resto fica encalhado.
E nada mais acontece.
Comigo é diferente, eu adoro sentir.
A emoção contagia-me!
Sinto intensamente, tudo o que me é visível e invisível aos olhos.
Porque consigo ver para além, da capa, da personagem, da expectativa, para além das virtudes e defeitos que lhes são retratados.
Sou minuciosa nos detalhes.
E adoro esta faceta que me deixa tremendamente feliz!
Porque ter a capacidade de reparar, no mínimo, no detalhe é de uma genuídade esplêndida, e só por isso me sinto bem.
Sei e sinto o que ali está.
Sei disfarçar.
Mas não me pronuncio sobre o que sei.
Guardo para mim.
Pode ser perigo, pode-se tornar sufoco.
Mas pouco importa..
Desde que consiga dar a volta.
O que pretendo mesmo, é marcar a diferença.

• As Grades da Nossa Mente •

A prisão não se trata de estar preso fisicamente.
Não são as grades.
Não é a porta fechada.
Não é a falta de luz que incomoda..
O que incomoda é sermos nós mesmos, os autores do fecho da porta.
Quando fechamos a porta, as coisas complicam-se.
O ciclo retorna de forma brava e impiedosa!
A maior prisão, é talvez o que está na nossa mente, é o que se guarda e nunca se diz..
Simplesmente se mente.
É um acumular eternamente.
Trás-nos inquietação face a tudo..
É um bloco de gelo inquebrável, é uma bola de fogo, intacta.
Contudo, o tempo passa, mas a dor de não saber viver, não escassa..
É preciso calma..
A calma, leva-nos a habituação..
Acabamos por criar estratégias de sobrevivência..
Sós..
Porque nada é divulgado!
Apenas se sabe, que o rosto sério denúncia..
Alguma verdade..
Alguma inquietação..
A tal insatisfação..
Que o olhar não nega.
Mas ainda assim, inteligência, ou vontade, é do sujeito que se preocupa, que arrisca e quer repor a jeito, toda a minha sinceridade.
Será digno da verdade?
Talvez tente, talvez não aguente..
Porque este problema, é pesado para quem o sente. .
Quanto mais para quem não o entende!
Ou quem não pretende.
Causa estranheza, causa avareza..
A capacidade de entendimento perde-se..
E tudo se remete, á repetição, já bem conhecida..
Essa ja não causa estranheza!
Nem é merecida.
Trata-se de um duro e longo caminho.
Só, uma vez mais!
Talvez o amanhã, se reserve melhor.
E haja, alguém..
Que me faça abrir a porta da minha mente!
De repente, que ponha tudo em mim de forma decente..
De forma coerente!
Quero saber viver, amar, e ser..
SOMENTE!